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'Espanta o fato de essas crianças retornarem...'
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A violência contra crianças tem preço
* Wagner Odri
 
A tragédia ocorrida em Ribeirão Pires, na Grande São Paulo, com os meninos João Victor e Igor, de 13 e 12 anos, respectivamente, provavelmente será esquecida bem mais rápido do que alguns casos divulgados pela imprensa recentemente, como o de Isabella Nardoni. Ainda que no caso dos meninos - mortos, esquartejados, queimados e jogados no lixo pela madrasta e pelo pai, assassinos confessos - os detalhes do crime sejam até mais chocantes.
 
Com João Victor e Igor, há o reconhecimento da situação por vizinhos e autoridades, que já prenunciavam algo de muito grave prestes a acontecer - e que aconteceu.
 
O que mais chama a atenção no caso dos meninos de Ribeirão Pires foi a incapacidade das autoridades de prever e agir adequadamente para evitar a tragédia. A situação dos garotos já era conhecida da polícia, da Vara da Infância e da Juventude local e do Conselho Tutelar do município havia três anos.
 
Eles chegaram a ser afastados da família por ordem judicial, mas retornaram porque os técnicos do abrigo onde estavam entenderam que eles “manipulavam a verdade”.
 
Não podemos e não devemos condenar os poderes e os profissionais envolvidos pelo que aconteceu, mas é certo que algo falhou e os equipamentos públicos não foram capazes de agir com eficiência e a tempo de evitar a tragédia.
 
Em 2007, o presidente Lula instituiu uma lei que criou a semana de combate à violência contra a criança, a ser relembrada em outubro de cada ano, mas até o momento pouca coisa mudou. Precisamos de políticas públicas mais claras e, principalmente, de investimentos.
 
Só para os Estados Unidos, a violência e a negligência contra a criança custaram cerca de US$ 104 bilhões em 2007. No Brasil, embora não saibamos com exatidão o tamanho da conta, com certeza ela também custa muito.
 
Enquanto não houver uma mudança de atitude de toda a sociedade em relação a esse problema, cobrando das autoridades providências claras e eficientes, casos como os de João Victor e Igor continuarão acontecendo.
 
Se o Estado não tem condições de prestar a assistência adequada a crianças abusadas e seus familiares, deve dividir a tarefa com entidades que se proponham a fazer esse trabalho de forma séria - e fiscalizá-las.
 
* Wagner Odri, presidente do IHF - Instituto Herdeiros do Futuro
 
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